A História da Jaguar entrou numa era inteiramente nova. Desde o início da sua cotação na bolsa, em 1984, a Jaguar obteve um sucesso considerável no crescimento e desenvolvimento do seu negócio. A procura dos veículos Jaguar aumentou significativamente e tendo a produção aumentado em conformidade. A rentabilidade da empresa proporcionou o financiamento para melhorias substanciais nas instalações de produção e engenharia e para a implantação de um novo centro de engenharia de produto em Whitley, Coventry, que significou um investimento de 52 milhões de libras. O projecto de produção dos seus próprios painéis de carroçaria levou a Jaguar, no início dos anos 90, através de uma parceria com a GKN, à criação da Venture Pressings e, em 1988, foi formada uma outra parceria, a JaguarSport, para a produção e comercialização das versões desportivas dos veículos Jaguar e de veículos de elevadas prestações, incluindo o fantástico XJ220 e o desportivo XJR-15.
No entanto, as difíceis condições de comercialização e as taxas de câmbio desfavoráveis levaram, nesta altura, o Conselho de Administração da Jaguar a reconhecer o valor potencial da colaboração com um fabricante de grande dimensão.
Foram iniciadas negociações com várias das maiores companhias da indústria automóvel, incluindo a Ford, para explorar as diversas formas de expansão da gama de produtos Jaguar e conseguir acesso a tecnologia e componentes de classe mundial. Foram realizadas reuniões com a General Motors para explorar a possibilidade das duas empresas iniciarem parcerias de produção, marketing ou outras parcerias de teor comercial. Como parte integrante destes acordos, a General Motors considerou adquirir uma quota minoritária na Jaguar. No entanto, a 19 de Setembro de 1989, a Ford anunciou a sua intenção de adquirir até 15 por cento das acções da Jaguar e, a 16 de Outubro de 1989, a Ford informou o Conselho de Administração Jaguar que, com o seu apoio, estava disposta a fazer uma oferta para a aquisição de 100 por cento do capital da empresa. Mais tarde, nesse mesmo mês, a 31 de Outubro de 1989, Nicholas Ridley, Secretário de Estado do Comércio e Indústria, anunciou ao Parlamento que iria consentir uma alteração ao Pacto Social da Jaguar, retirando as restrições que impediam que alguém pudesse deter mais de 15 por cento das suas acções, após esta alteração ter sido aprovada pelos próprios accionistas. Em suma, estava disposto a retirar a restrição da ´Golden Share´.
A 1 de Novembro de 1989 a Ford abordou o Conselho de Administração da Jaguar com uma proposta que, após um longo debate sobre as condições oferecidas, conduziu a um acordo. O plano acordado para o futuro da Jaguar reconheceu a integridade das Marcas Jaguar e estipulou que a Jaguar iria permanecer uma entidade legal independente com uma estrutura de capital auto-sustentável e o seu próprio Conselho de Administração. Foi realizada uma Assembleia de Accionistas Extraordinária a 1 de Dezembro de 1989, na qual a recomendação do Conselho de Administração, de aceitar a proposta da Ford, foi aceite. Tornou-se incondicional sete dias depois e a Ford anunciou a concretização da sua proposta a 28 de Fevereiro de 1990, quando foi efectuado o pedido para retirar a Jaguar da Bolsa de Valores.
A Equipa de Transição da Ford passou três meses na preparação de um relatório sobre as operações Jaguar e, durante este período, foram nomeados executivos da Ford para o Conselho de Administração. No final de Março, Sir John Egan anunciou que se iria reformar da Jaguar e, embora tenha renunciado de imediato ao cargo de Presidente Executivo, continuou a exercer as funções de Presidente não Executivo até ao final de Junho de 1990. William J Hayden CBE, que tinha assumido o cargo de Presidente Executivo em Março, tornou-se Presidente do Conselho de Administração e Presidente Executivo a 1 de Julho de 1990. Bill Hayden dispunha de uma vasta experiência na indústria automóvel Inglesa, onde tinha desempenhado vários cargos de direcção. Em relação à sua nomeação, comentou: "Acredito na Jaguar, nos seus produtos e pessoas. As competências, educação e capacidades dos trabalhadores são tão boas como as que tenho observado em qualquer outra empresa".
Uma das formas que a Ford se comprometeu a continuar a progressão da herança Jaguar foi com a continuação da presença da empresa de Coventry no desporto automóvel. A época de 1990 não poderia ter começado da melhor forma. Participou com dois XJR-12 nas famosas 24-horas de Flórida, em Daytona. No final da corrida o Jaguar que a liderava, conduzido pela estrela Americana Davy Jones, Jan Lammers e Andy Wallace, encontrava-se quatro voltas à frente do segundo Jaguar que, por sua vez, se encontrava cinco voltas à frente do Porsche, que ocupava o terceiro lugar. Foi uma vitória soberba e, pela primeira vez em mais de vinte anos, uma equipa conseguiu terminar nas duas primeiras posições. Com uma vitória encorajadora em Silverstone, a equipa de competição da Jaguar foi para Le Mans com uma confiança elevada.
Quatro dos XJR-12 de resistência, equipados com motores V12, participaram contra vários concorrentes de respeito, incluindo 19 Porsche e 7 Nissan.
A Equipa de Gestão da Jaguar, no entanto, estava disposta a deixar os veículos turbo lutarem pelas posições cimeiras na fase inicial da corrida. Os Nissan tomaram a liderança inicial da corrida mas, gradualmente, os veículos mais rápidos autodestruiram-se e os Jaguar subiram na tabela de posições até tomar a liderança da prova. Na última hora, o Jaguar que liderava a corrida tinha uma volta de vantagem e parecia que iriam terminar na primeira e terceira posições quando, apenas a 15 minutos do fim aconteceu algo inesperado. O Porsche mais veloz teve o azar de partir o motor e, assim, a Jaguar conseguiu as duas primeiras posições na mais famosa corrida de resistência do mundo. Conjugou-se a celebração do quadragésimo aniversário da primeira participação do Jaguar em Le Mans com a sétima vitória da Jaguar.
A recessão mundial de 1990, que resultou em condições de comercialização mais difíceis, em particular no segmento de veículos de luxo, traduziu-se numa redução das vendas Jaguar em muitos mercados. No entanto, apesar da recessão, nesse ano a Jaguar conseguiu estabelecer recordes de vendas na Alemanha, Itália e Japão. No final de 1990, foi conseguido um acordo em relação ao valor do pagamento por hora, no qual estava incluída uma compensação para versatilidade de novos métodos de trabalho, implementados com o objectivo de eliminar as restrições à eficiência. No início de 1991 os trabalhadores foram também informados, através de um conjunto de palestras e apresentações, dos planos para o futuro da empresa durante a última década do Século XX. Estes planos tinham que resolver os problemas imediatos provocados pela continuação da recessão económica, além de proporcionar os alicerces para o futuro a longo prazo.
Os objectivos centravam-se em três pontos fundamentais; melhoria contínua da qualidade do produto, aumento da eficiência de produção e desenvolvimento e implementação de uma nova e excitante gama de modelos. Com as vendas a não apresentar sinais de recuperação, a Jaguar enfrentava uma situação crítica. Seria necessária uma redução drástica do número de trabalhadores para tornar a empresa mais eficiente e garantir a sua viabilidade. Em 1991, foram lançados os programas de reforma antecipada e de acordos mútuos que, no final do ano, resultaram numa redução de um terço dos trabalhadores, tendo o número total sido reduzido para 8.000. Foi um período de grandes mudanças que teve alguns momentos de glória. A Jaguar ganhou novamente o Campeonato Mundial de Sports Car com o revolucionário XJR-14, dominando por completo o campeonato, que incluiu as 24 Horas de Le Mans. Apesar de ter perdido a vitória por uma margem ínfima, a Jaguar obteve um dos seus melhores resultados em Le Mans em 1991, três XJR-12, com motor V12, terminaram em segundo, terceiro e quarto lugares. A presença em Le Mans foi igualmente um momento de celebração nostálgica. Foi celebrado o quadragésimo aniversário da primeira vitória da Jaguar em Le Mans, em 1951, com o lendário XK C-type. Para comemorar a ocasião, uma caravana de 20 C-type originais efectuou o percurso de Browns Lane a Le Mans e completou três espectaculares voltas de demonstração ao famoso circuito antes do início da corrida.
Um outro Jaguar que celebrou o seu aniversário esse ano foi o E-type, que tinha sido lançado trinta anos antes, no Salão Automóvel de Genebra. O clubes Jaguar uniram-se na organização de um grande festival, no circuito Donington Park, que congregou mais de 1.000 E-type, vindos dos quatro cantos do mundo. Esteve presente o 77RW, o primeiro roadster de produção e o HDU 555N, o último V12 roadster. Após a sua estreia como protótipo no Salão Automóvel de 1988, o sensacional XJ220 tornou-se numa realidade, tendo a sua produção sido iniciada em 1991. A JaguarSport construiu especialmente uma fábrica em Bloxham, perto de Oxford, para a produção limitada de 350 unidades. Mesmo com um preço de venda ao público de 400,000 libras, os direitos de opção de compra do Jaguar XJ220 esgotaram-se rapidamente. No seguimento do intenso programa de ensaios e desenvolvimento, a produção dos veículos para clientes começou no início de 1992 e os primeiros XJ220 foram entregues em Julho do mesmo ano.
Embora não tenha sido lançado nenhum modelo de produção em volume durante este período, foram implementados variados e excitantes novos desenvolvimentos na gama de produtos. O mais significativo foi o face-lift substancial implementado na gama XJS. Os novos veículos incorporaram alterações ao design exterior, um habitáculo redesenhado, níveis de equipamento melhorados e a utilização do motor AJ6 de 4,0 litros em substituição da versão com 3,6 litros no coupé de seis cilindros. As alterações ao design foram abrangentes mas subtis. Quase 40% dos painéis do veículo foram alterados, incluindo a tampa da bagageira, os guarda-lamas traseiros, portas, embaladeiras e o tejadilho da versão coupé. O objectivo foi proporcionar linhas mais suaves e contemporâneas ao XJS e, ao mesmo tempo, preservar as qualidades essenciais e intemporais do design original.
O resultado foi um sucesso tremendo, tanto junto da imprensa automóvel como junto do público, proporcionando um interesse renovado - e essencial - no produto. No ano seguinte a gama XJS foi complementada pelo lançamento da versão 4,0 litros Convertible. A nova versão incorporou um airbag para o condutor, tornando a Jaguar na primeira companhia no Reino Unido a disponibilizar este equipamento de segurança, e uma substrutura dianteira em aço inoxidável, que provocou um aumento de 25% na rigidez torsional da carroçaria.
O Presidente do Conselho de Administração e Presidente Executivo, William J Hayden CBE, reformou-se no fim de Março de 1992. O seu sucessor foi Nick Scheele, que tinha entrado na Jaguar, no início do ano, como Vice Presidente. A vasta experiência de Bill na produção automóvel tinha permitido à Jaguar implementar melhorias significativas de qualidade e eficiência durante os dois anos em que esteve ao leme, tendo deixado uma companhia muito mais sólida. Quando a companhia celebrou o seu septuagésimo, em Setembro desse ano, Nick Scheele deixou bem claro que a Jaguar iria continuar a consolidar os seus pontos fortes, "Sir William Lyons acreditava em proporcionar aos seus clientes produtos distintos e excitantes, que oferecessem prestações, requinte e comportamento de nível mundial com uma excelente relação preço/qualidade. Actualmente, estas qualidades ainda se encontram na essência da companhia. O nosso objectivo para o futuro é honrar essa tradição e produzir novos produtos que sejam inequivocamente Jaguar e que sejam merecedores do seu legado histórico".
Em Novembro de 1992 foi encerrada a produção de duas gamas clássicas, o Série III e a Daimler Limousine. A produção do último Série III encerrou um dos mais longos capítulos da história Jaguar - um volume de produção de mais de 400.000 veículos ao longo de 24 anos, que começou com o XJ6 em 1968. Existem poucos veículos que se possam comparar ao majestoso Daimler Limousine, infelizmente, quando o último saiu da secção de ´Limousines´ em Browns Lane, foi o final de um volume de produção de 4,116 veículos completos e de 927 chassis, que tinha sido iniciado em Abril de 1968. Embora não tenha sido lançado nenhum produto inteiramente novo em 1993, a companhia investiu vastos recursos no melhoramento e extensão da gama actual. Um novo V12 de quatro portas foi o primeiro veículo a ser anunciado. O novo Jaguar XJ12 e o Daimler Double Six foram equipados com uma versão 6,0 litros do motor V12 com 318cv que era mais potente, requintada e económica e uma nova caixa automática electrónica de 4 velocidades. A Jaguar anunciou, de seguida, as versões de chassis longo do Jaguar Sovereign e das versões Daimler Majestic. A versões Majestic incorporavam um ´alongamento´ de 125 mm atrás do pilar ´B´, em relação ao veículo de série, que proporcionou um aumento significativo do espaço disponível para as pernas dos ocupantes dos bancos traseiros. O espaço em altura para os ocupantes dos bancos traseiros foi igualmente aumentado devido ao tejadilho redesenhado e elevado.
O complemento final à gama foi proporcionado pelo XJ6 3.2S e pelo 4.0S. Estes novos veículos destinavam-se aos condutores entusiastas mais jovens, que desejavam um veículo com um comportamento mais firme e um design exterior e interior mais desportivo, em complemento a um elevado nível de equipamento e uma excelente relação preço/qualidade. Estes veículos dispunham igualmente de airbags para o condutor e passageiro como equipamento de série. Os desenvolvimentos da Jaguar no campo da protecção dos ocupantes garantiram ao XJ6 o galardão de ´O Veículo Mais Seguro do Reino Unido´ num estudo levado a cabo pelo Departamento de Transportes. A gama XJS sofreu alterações significativas de especificação, que reforçaram o seu ´appeal´ e competitividade. As principais alterações foram: a instalação do novo motor V12 de 6,0 litros de cilindrada, que proporcionou melhorias surpreendentes em termos de prestações; a caixa automática de 4 velocidades, igualmente disponível nas versões com motor V12; o lançamento de um modelo descapotável 2+2 e a instalação de pára-choques novos e jantes de liga leve fundidas, de forma a proporcionar ao coupé e ao descapotável um design mais contemporâneo.
Em Agosto de 1993 a Jaguar instalou uma nova linha de montagem em Browns Lane, com o custo total de 8,5 milhões de libras. A nova linha de montagem única, substituiu a antiga linha de produção dupla de veículos de quatro portas, que tinha sido instalada há trinta anos. Esta nova linha de montagem de tecnologia de ponta foi instalada em apenas 21 dias e proporcionou um reforço adicional ao controlo de qualidade e eficiência em Browns Lane, além de proporcionar um melhor ambiente de trabalho aos operários. No final do ano as três fábricas Jaguar tinham obtido a certificação BS5750 e, no início de 1994, Browns Lane e Castle Bromwich obtiveram igualmente ambicionado Padrão de Qualidade Ford - Q1.
Num mundo em constante mudança, a Jaguar encontra-se numa busca permanente de oportunidades para poder capitalizar a sua presença em novos mercados. Em 1993, os veículos Jaguar começaram a ser comercializados na Rússia e em muitos dos países do Bloco de Leste. Em Outubro, Nick Scheele assinou um acordo com a Inchcape Pacific para a distribuição de veículos Jaguar em todo o território Chinês, um país que apresenta tremendas perspectivas de crescimento económico. A Jaguar participou também novamente em Le Mans, em 1993, com uma equipa de três XJ220C especialmente preparados, que competiram na nova categoria Grand Touring. Um mês antes, o XJ220C tinha tido uma estreia de sonho em Silverstone, quando Win Percy venceu a corrida do BRDC National Sports GT Challenge com facilidade. Foi um pouco mais difícil em Le Mans e, no Domingo de manhã, apenas restava um Jaguar em pista. A prova complicou-se ainda mais quando o Jaguar de John Nielsen, David Brabham e David Coulthard perdeu 73 minutos devido a uma fuga de combustível. No entanto, após ter sido reparado, o XJ220 conseguiu ultrapassar o Porsche de Jurgen Barth e recuperar a liderança da categoria GT, acabando por cortar a meta em primeiro lugar. A ironia final da corrida teve lugar várias semanas mais tarde, quando o Jaguar vencedor foi desqualificado devido a uma alegada violação do regulamento técnico.
Uma nova Série XJ foi apresentada no Salão Automóvel de Paris em Outubro de 1994 e o seu lançamento monopolizou as acções da Jaguar durante esse ano. O lançamento foi ainda mais notável pelo facto de a companhia ter, pela primeira vez, lançado um veículo novo, produzido sob padrões mundiais de qualidade, simultaneamente em todos os seus mercados mundiais. Tendo utilizado o nome de código X300 durante o seu desenvolvimento, a nova série XJ representou um investimento superior a 200 milhões de libras e foi o primeiro produto Jaguar desenvolvido após a aquisição pela Ford. O novo veículo manteve a longa tradição de excelência na engenharia e pedigree de design, mas conjugou estas qualidades com uma gestão de processos de produção de nível mundial. O aspecto mais impressionante desta nova gama foi a forma como o design moderno e tradicional foram conjugados para produzir um novo elegante design de carroçaria. Todos os painéis exteriores da carroçaria foram alterados em relação às versões XJ anteriores. Enquanto que o novo design esculpido do capot e as linhas traseiras evocam memórias dos clássicos Série III, a modernidade essencial do design foi enfatizada pelos pormenores contemporâneos, tais como os pára-choques na cor da carroçaria, uma grelha de radiador menos proeminente e alterações distintivas aos faróis e farolins. Os engenheiros da Jaguar criaram um novo XJ mais silencioso, requintado, confortável, mais rápido e, ao mesmo tempo, mais económico, seguro e fiável. O novo motor de 4,0 litros supercharged com 326cv, utilizado pela primeira vez numa berlina de luxo, assegurou igualmente que o novo XJ fosse mais excitante e apelativo a um novo conjunto de clientes Jaguar. O veículo revelou-se um sucesso tremendo, tendo sido aclamado pelos Concessionários Jaguar, pela imprensa e pelos clientes em todo o mundo.
O ano terminou em grande quando, em Dezembro, Sua Majestade a Rainha Isabel II honrou a companhia com uma visita à linha de produção de Browns Lane. Foi a primeira visita efectuada pela Rainha à Jaguar desde 1957 e provou ser um dia memorável. A Rainha ficou encantada por conhecer tantos colaboradores da Jaguar e mostrou especial interesse em todos os aspectos do processo de fabrico, impressionando todos os presentes com os seus conhecimentos de produção automóvel. Encomendou, também, um novo Daimler 6,0 litros na cor British Racing Green.
A Jaguar iniciou o ano de 1995 com as vendas do novo XJ a atingirem os valores mais elevados dos últimos cinco anos. Em Maio a companhia anunciou duas versões XJS Celebration, para comemorar os 60 anos da lendária marca Jaguar. A gama de produtos Jaguar foi novamente aumentada em Junho com o lançamento das versões de chassis longo da gama XJ. As novas versões incorporaram um aumento de 125 mm atrás do pilar B, que proporcionou um aumento significativo do conforto e espaço para os passageiros do banco traseiro. Os veículos foram concebidos para maximizar as características da gama XJ em todos os principais mercados, proporcionando um vigor adicional às vendas. Em Julho foi confirmado que o programa X200, o Jaguar de quatro portas de menores dimensões e custo inferior, seria produzido na fábrica de Castle Bromwich. O programa foi aprovado pelo conselho de administração da Ford após o governo Inglês ter ventilado a hipótese de um subsídio substancial para auxiliar o financiamento do novo projecto.
A versão de edição limitada - foram apenas produzidas 100 unidades - incorporou a grelha do radiador típica da Daimler. Baseado na versão de chassis longo do Daimler Double Six, o Century distinguia-se pelas jantes em liga leve "Turbine" cromadas, frisos laterais cromados e emblemas discretos ´Century´ em dourado sobre preto. O habitáculo encontrava-se revestido com couro macio Autolux, com o famoso ´D´ da Daimler bordado nos encostos de cabeça.
Uma inscrição especial ´Century´ foi incorporada no lado do passageiro do tablier em raiz de nogueira, o tema foi complementado com um conjunto de logótipos Daimler Century em cada um dos sumptuosos tapetes de lã.
A 4 de Abril desse ano foi igualmente produzido o último XJS, substituído pelo novo XK8 coupé e cabriolet, que foram apresentados ao público nos Salões de Genebra e Nova Iorque, no início do ano, recebendo críticas muito favoráveis. As linhas potentes e etéreas do XK8 evocam as lendas das versões desportivas da Jaguar - o XK120, o C, D e E-type e, mais recentemente, o XJ220. O XK8 é o primeiro desportivo da Jaguar desta geração, representa o passo mais recente da Jaguar na estratégia de produtos a longo prazo. Seguindo a herança Jaguar, o XK8 proporciona uma conjugação única de estilo, luxo, requinte e qualidade de fabrico, estabelecendo novos patamares de prestações dinâmicas, tecnologia avançada, qualidade e fiabilidade no segmento dos veículos desportivos. Os engenheiros da Jaguar criaram um design de carroçaria e habitáculo completamente novos, que incorporaram grandes actualizações e melhorias funcionais. A evolução das prestações e do consumo de combustível em relação ao XJS proporciona os melhores níveis de comportamento e requinte do segmento. O XK8 reforça igualmente a reputação da Jaguar, proporcionando o melhor conforto e comportamento da classe, proporcionados pelos novos sistemas de suspensão, direcção e travagem.
Os avançados sistemas electrónicos com multiplexagem suportam o elevado nível de equipamento e proporcionam uma fiabilidade de nível mundial. O processo de engenharia do XK8 foi fortemente baseado nas melhores práticas da indústria, permitindo o início de produção de um novo veículo em apenas 30 meses após a aprovação do programa. O coração do XK8 é o novo motor AJ-V8. Concebido e desenvolvido em Whitley, o motor V8 de 4,0 litros, 290cv, 32 válvulas e quatro árvores de cames, estabelece novos padrões de requinte e potência para a Jaguar - prestações elevadas, disponibilização progressiva de potência e um requinte excepcional. O motor AJ-V8 é produzido numa fábrica Jaguar construída para o efeito, localizada na Ford Engine Plant em Bridgend, a Sul do País de Gales. A fábrica Jaguar é composta por uma linha de produção equipada com máquinas de controlo numérico, com automatização do carregamento e montagem.
A montagem final e colocação do motor no veículo é efectuada em Browns Lane. O AJ-V8, apenas o quarto motor Jaguar de produção em série na história da companhia, encontra-se acoplado à caixa automática Jaguar de cinco velocidades, que complementa na perfeição a potência e binário do motor. Os sistemas dinâmicos do novo XK8 foram concebidos para maximizar a lendária experiência de condução Jaguar. O XK8 dispõe de um novo sistema de travagem, direcção assistida de relação variável em função da velocidade e uma nova suspensão dianteira com duplos triângulos sobrepostos. A suspensão traseira foi desenvolvida a partir do sistema utilizado no Jaguar XJR. Dispõe de barras estabilizadoras dianteiras e traseiras.
O XK8 incorpora uma vasta gama de equipamento de segurança, no qual se incluem dois airbags e pré-tensores pirotécnicos dos cintos de segurança, enquanto que a estrutura da carroçaria proporciona uma resistência a embates fora do comum, que excede a legislação aplicável em todo o mundo. Desde a sua apresentação no Salão de Automóvel de Genebra, onde ganhou o prémio "Melhor do Salão", o XK8 recebeu vários prémios e grande aclamação em todo o mundo pelo seu design, beleza, prestações, comportamento e até pelo seu "sex appeal"! Na mesma altura, as estratégias utilizadas no fabrico do XK8 ganharam vários prémios para as equipas Jaguar envolvidas na produção da nova gama.
A companhia ganhou o prémio de "Construtor do Ano" nos Manufacturing Industry Achievement Awards em 1996, e o "Manufacturing Excellence Awards" em 1997. A companhia celebrou o 75º aniversário da sua fundação em 1997. O último veículo de quatro portas equipado com o motor V12 foi produzido em Abril e o último seis cilindros em linha, em Junho. A meio dos anos noventa a procura das versões V12 tinha sofrido uma redução considerável nos Estados Unidos e na Europa. A gama de motores AJ-16, de seis cilindros, tornava-se cada vez mais potente, em particular nas versões equipadas com compressor volumétrico - proporcionando níveis equivalentes de requinte, mas consumos de combustível consideravelmente inferiores.
O "saloon" de seis cilindros, lançado em 1994, tinha sido o primeiro modelo da nova era da Jaguar, assinalando o reforço da qualidade na companhia. A gama XJ tinha conseguido níveis incomparáveis de satisfação dos clientes, atingindo os padrões mais elevados. Foi substituída pelo novo V8 XJ que, no seguimento do sucesso da gama, representa o passo mais recente na estratégia de produtos a longo prazo da Jaguar. O aumento subtil do requinte exterior, das linhas elegantes e discretas assinala a vasta gama de alterações técnicas. O motor de liga leve Jaguar AJ-V8, de 32 válvulas, utilizado pela primeira vez no XK8, foi introduzido na gama XJ em três formatos - 3,2 e 4,0 litros naturalmente aspirado e uma versão ultra-desportiva do 4,0 litros com compressor volumétrico, todos acoplados a caixas automáticas de cinco velocidades.
Mais de 30 por cento da estrutura da carroçaria é nova ou modificada, para maximização da qualidade, robustez e do desempenho estrutural. A rigidez torsional, um factor determinante do requinte de uma carroçaria, foi igualmente aumentada, colocando a Jaguar entre os líderes da indústria. As linhas mais suaves dos novos pára-choques e a nova grelha dianteira complementam as superfícies fluidas da carroçaria. Todos os faróis e farolins exteriores incorporam a mais recente tecnologia de reflectores de superfície complexa, conjugando um aumento de 10 por cento no desempenho dos faróis com uma aparência exterior cintilante tipo "diamante". O interior do XJ V8 representa uma evolução contemporânea do design Jaguar, onde os materiais tradicionais e a herança artesanal são conjugados na perfeição com tecnologia de ponta. O conforto dos passageiros, a ergonomia e o espaço para pernas foram melhorados, enquanto que a segurança foi maximizada através da aplicação de airbags laterais e pré-tensores dos cintos de segurança nos bancos dianteiros. A carroçaria foi igualmente reforçada, indo ao encontro das mais recentes normas de segurança. Os sistemas dinâmicos do novo XJ V8 foram re-desenhados para maximizar a lendária experiência de condução Jaguar. Onde possível, os sistemas do chassis do desportivo XK8 foram adaptados às necessidades dos novos V8 de quatro portas. Nas vastas alterações incluem-se a nova suspensão dianteira, a mais recente geração de sistemas de travagem Teves Mk XX, controlo de estabilidade e tracção, direcção assistida de relação variável em função da velocidade, gestão de acelerador "drive-by-wire" e suspensão traseira optimizada. O novo diferencial e o novo veio de transmissão de dois componentes proporcionam uma redução do ruído e vibração. A suspensão Jaguar de Tecnologia Activada por Computador (
CATS), introduzida no XK8, constitui equipamento de série nas versões supercharged, proporcionando uma conjugação única de comportamento desportivo e conforto de uma limousine.
Todas as versões encontram-se equipadas com pneus Pirelli e jantes de liga leve. O resultado é um comportamento dinâmico optimizado, com alterações de jantes, pneus e suspensão apropriadas a cada versão da nova gama V8 XJ. A nova gama V8 XJ disponibiliza os mesmos princípios de concepção de sistemas electrónicos avançados que o XK8, que suportam a completa especificação, além de proporcionar uma fiabilidade de nível mundial. O sistema incorpora cablagens com multiplexagem, um Controlador de Área de Rede para todas as funções do sistema de motor e transmissão e um Protocolo Normalizado de comunicações para os sistemas de carroçaria. A multiplexagem permite que os sistemas electrónicos do veículo possam comunicar entre si a grande velocidade e partilhar informação. Proporciona, igualmente, a redução da quantidade e do comprimento das cablagens, para maior fiabilidade e facilidade de aplicação.
Foram aplicados os princípios utilizados no processo de desenvolvimento de produto do XK8, completando a nova gama de veículos de quatro portas em apenas 28 meses após a aprovação do programa. Um mínimo de 80 por cento do peso de cada novo Jaguar é reciclável. O cuidado com o meio ambiente é uma prioridade principal dos engenheiros da Jaguar e os novos veículos reflectem o compromisso permanente da companhia para uma estratégia de responsabilidade para com o meio ambiente. Todas as carroçarias XK8 e V8 XJ são pintadas em Castle Bromwich, utilizando sistemas de pintura à base de água, que proporcionam uma redução na emissão de solventes na camada de primário na ordem dos 85 por cento. No final de 1997, as três instalações Jaguar de Browns Lane, Whitley e Castle Bromwich tinham obtido a rigorosa certificação de qualidade QS9000. Em complemento, a Jaguar tinha-se tornado na primeira companhia automóvel do mundo a receber o desejado FTPM Checkpoint D - o Galardão "Total Productive Maintenance" da Ford - em reconhecimento da dedicação da companhia à filosofia de zero acidentes, zero paragens de equipamento, zero rejeições e zero desperdício.
Coincidindo com a celebração do 75º aniversário da companhia, foi anunciada em Outubro uma expansão de grande importância no "Jaguar Daimler Heritage Trust". O novo edifício constituirá um memorial comemorativo ao fundador da Jaguar, Sir William Lyons. No centro do novo edifício será instalada a nova sede mundial e o museu do Trust, em Browns Lane. O "Jaguar Daimler Heritage Trust" tem a responsabilidade da preservação de uma colecção de veículos única e histórica, que representam a genealogia do design Jaguar a das marcas associadas, desde os primórdios da indústria automóvel no Reino Unido.
No início de 1998, a Jaguar anunciou que o desportivo de quatro portas, o S-Type (com o nome de código X200), seria apresentado ao público no Salão Automóvel de Birmingham, em Outubro. A produção em volume do S-Type será iniciada em 1999 e irá assegurar que a Jaguar entrará no novo milénio com níveis recorde de produção e com a gama mais abrangente de produtos na história da companhia. Foram igualmente anunciados os planos de produção de um veículo de quatro portas de menores dimensões. Com o nome de código X400, o veículo irá competir no segmento C/D e será produzido nas instalações de Halewood, em Merseyside - que será transformada numa fábrica Jaguar no momento do lançamento do novo veículo, em 2001. Ao anunciar a decisão, Nick Scheele comentou: "São notícias excelentes para a Jaguar. Nos quatro próximos anos iremos progredir de uma companhia com apenas duas gamas e um volume de produção de 45,000 veículos por ano, para um fabricante com quatro gamas premium, com um volume de produção de 200,000 veículos por ano".